Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

«A Minha Coroa de Glória»

"Manágua, 24 de Abril de 1983

Compañero José Afonso

Durante el «Concierto por la Paz y la No Intervención en Centroamérica» en la Plaza de la Revolutión «Comandante Carlos Fonseca Amador», los participantes en el II Festival Foro de la Nueva Canción Latino Americana, queremos enviarte um abrazo revolucionario y contarte que te sentimos junto a nosostros cantándole al hombre nuevo que, como ahora en Nicaragua, un dia ha de nacer en Portugal. Esta revolución está defendiendo sus fronteras ante la guerra no declarada con el imperialismo norteamericano pretende atarcala. Pero aqui en Nicaragua libre no se suspende la belleza, no se suspende la poesía ante la agresión porque como dice el emblema de este encuentro - «la lucha es el más alto de los cantos». Compañero José Afonso: tu combate es el nuestro."

Telegrama enviado da Nicaragua, assinado por Chico Buarque, Pete Seeger, Daniel Viglietti, Carlos Mejía Godoy, Amparo Ochoa, Gabino Palomares, Silvio Rodríguez, Mercedes Sosa, Isabel Parra, Noel Nicola, Ali Primera, Yolocamba-Ita para o Zeca sabendo já da sua doença. É «a minha coroa de glória» confidenciou comovido Zeca a José A. Salvador (in "Livra-te do Medo", p.ª 264).

Em muitos locais pesquisados e neste boletim do GPSAL de Solidariedade com a América Latina, tem o evento realizado em 1984, mas foi em 1983. Em 1984 o III Festival, foi no Coliseu J. C. Hidalgo em Quito, Equador.


A gravação do Festival em Manágua.



publicado por marius70 às 16:33
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Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

La obra de un cantautor honesto

"Tímido y frágil, su voz fue única por su timbre y sonoridad y una afinación exacta y precisa.

Y aun así nunca le agradaron lo más mínimo las luces de los escenarios. Para Afonso, tener que cantar ante un público era como tener que sacarse un diente. “Nunca canto por gusto” decía y es que Zeca, más que intérprete era un creador y un docente.

Y como muchos artistas y creadores, nunca se preocupó del aspecto comercial de su arte. Por eso cuando a mediados de los 80 contrae una extraña enfermedad llamada esclerosis amiotrófica mejor conocida como enfermedad de Lou Gehrig, en referencia al beisbolista americano de los años 30 que también la sufriera, y a medida que la dolencia va acabando con su salud y con su vida, Afonso también fue hundiéndose en la ruina económica hasta terminar en una pobreza extrema cercana a una indigencia por demás indigna de su talento y relevancia.

Como escribió alguien alguna vez, Afonso murió pobre porque nunca pactó con el sentido común, con la comercialidad, con el poder, con lo fácil y gratuito. Él mismo decía: “salvo excepciones somos un país de cantineros y de vendedores, que vendieron en las Áfricas, en Brasil, en Extremo Oriente… Ahora somos un país de pequeños comerciantes y estamos a vendernos los unos a los otros”.

José Afonso nunca aceptó venderse ni vender a nadie y además de ser el renovador de la música portuguesa fue la voz de los que no tenían voz, fue el más humilde de los humildes, fue el alma de las víctimas de la injusticia y la iniquidad. En un homenaje que le hicieron en Braga en 1984 dijo “Importa mantener la capacidad de indignación y seremos capaces de rechazar la hipocresía de quienes detentan el poder”.

daqui:

http://periodistas-es.com/grandola-vila-morena-los-30-anos-la-muerte-zeca-afonso-82186

Tradução livre

"Tímido e frágil, sua voz era única por seu timbre e sonoridade e um ajuste exato e preciso.

E, no entanto, ele nunca gostou das luzes do palco. Para Afonso, ter que cantar ante o público era como ter que tirar um dente. "Eu nunca canto por prazer", disse ele e é isso Zeca, mais do que o intérprete foi um criador e um professor.

E, como muitos artistas e criadores, nunca se importou com o aspecto comercial de sua arte. É por isso que, quando em meados dos anos 80, contraiu uma doença estranha chamada esclerose amiotrófica mais conhecida como doença de Lou Gehrig, em referência ao jogador de basebol americano dos anos 30 que também sofreu, e como a doença ia acabando com sua saúde e com a sua vida, Afonso também foi afundando na ruína económica até terminar numa pobreza extrema, perto de uma indigência indigna de seu talento e relevância.

Como alguém escreveu uma vez, Afonso morreu pobre porque nunca pactuou com o sentido comum, com comercialidade, com o poder, com o fácil e gratuito. Ele mesmo disse: "salvo exceções, somos um país de cantineiros e vendedores, que venderam em África, no Brasil, no Extremo Oriente ... Agora somos um país de pequenos comerciantes e estamos a vender-nos uns aos outros".

José Afonso nunca aceitou vender-se nem vender a ninguém e além de ser o renovador da música portuguesa era a voz daqueles que não tinham voz, era o mais humilde dos humildes, era a alma das vítimas da injustiça e da iniquidade. Num tributo feito em Braga em 1984, ele disse: "É importante manter a capacidade de indignação e seremos capazes de rejeitar a hipocrisia daqueles que detêm o poder".


Este desenho de Xulio Formoso de Zeca Afonso, tem um erro. Penso que não terão qualquer dificuldade em identificar esse erro.


publicado por marius70 às 16:04
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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

O Sul de José Afonso

Depoimento de José Louro

"Fosse em Santo António do Alto, um miradouro isolado no topo de Faro, fosse no teu barco com o António Barahona e o Pité, fosse em nossa casa, quantas cantigas tuas se eclipsaram no mesmo éter, no mesmo vazio. Tu pegavas na tua viola (eras o único, entre nós, que dedilhava as cordas e, mesmo assim, lastimando e protestando que os teus dedos não iam além das duas posições básicas de, como dizias, acompanhar o teu “tem grelinhos, tem grelinhos no quintal” ou o “caga cão, caga gato, caga o feijão carrapato”) e, versejando um provisório lá-lá-rá-lá-lá, pedias insistentemente que decorássemos tal improviso para, no dia seguinte, arranjarmos qualquer modo de o gravar. Só que o nosso ouvido e a nossa memória novamente dissipavam o que poderia ter sido uma coisa bonita saída do teu talento. Merda! – dizias tu, nunca mais consigo arranjar um desses gravadores portáteis!

É que o dinheiro era pouco e, quando no dia 30 ias à livraria pagar os livros fiados durante o mês, lá ficava uma boa parte do teu ordenado de professor, e o que restava lá se convertia em muitos pequenos-almoços, almoços, jantares e ceias reduzidos a uns tantos copos de leite! E lá vinha agora uma nova revoada de protesto contra o leite, através da frase: “Ó pá, estou cheio de gases!” A vida era dura."

(...)

"Saio dessas sessões [atuais de homenagem ao Zeca] e penso no cheiro a lodo com que tu chegavas à praia de Faro, para dormir numa tenda em pleno areal, após teres atravessado o Parchal, em competição com aqueles de nós que seguiam enxutos pela estrada; penso nas tuas peúgas, uma de cada cor, ou até na ausência delas por já não haver mais na gaveta; penso na tua gravata com um nó perene que, à entrada na escola, enfiavas ao pescoço, quer houvesse um colarinho, quer um cós de t-shirt; penso na tua voz, com dias de limpidez total e com dias em que afirmavas que “qualquer galinha choca me faz concorrência”."

daqui:

http://www.postal.pt/2017/04/sul-jose-afonso/

José Afonso com amigos no Café Santa Maria, na praia de Faro (Verão de 1963)



publicado por marius70 às 18:14
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Ilha da Fuzeta - o paraíso de Zeca Afonso

"A Fuzeta é muito conhecida pelo Zeca Afonso, que tinha aqui família. A minha infância era passada na ilha durante o Verão com amigos e recordo-me de que o Zeca Afonso gostava imenso deste local. Era uma pessoa muito simples e fazia ali muitas noitadas com a sua viola." (1)

"Antigamente, era uma alegria de dia e noite para toda a gente. Depois do pôr do Sol acendiam-se fogueiras e todos se divertiam. Lembro-me do Zeca Afonso, havia guitarradas e muita farra até às tantas da madrugada. A mulher dele veio aqui no início deste ano (2010) e depois de ter visto como está esta praia limitou-se a dizer: 'O que isto era e o que isto é…'" (2)

(1) José Brás, presidente da Junta de Freguesia em 2010
(2) Rogério Martins antigo pescador e agora barqueiro

daqui: https://www.dn.pt/portugal/sul/interior/quando-a-ilha-da-fuzeta-era-o-paraiso-de-zeca-afonso--1518630.html

foto: Zeca a passear na praia da Fuzeta.


publicado por marius70 às 17:34
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Era um gajo porreiro

Vitorino

"Conheci-o nos meus vinte anos quando o Zeca Afonso era professor numa escola secundária em Faro. Já antes conhecia a sua música, de o ouvir clandestinamente. Os primeiros que ouvi dele foi o “Menino do Bairro Negro” e os “Vampiros”.

Nessa altura eu andava na tropa e vi um projeto que anunciava o doutor José Afonso, na Casa dos Pescadores de Olhão. Eu e outros recrutas fomos lá ouvi-lo. Ele movimentava as pessoas com um sentido que ia muito além da música. Ele simbolizava o reviralhismo, o movimento contra a ditadura. Sabíamos bem de que lado ele estava.

Professor de esquerda, da escola do existencialismo, não punha gravata.

Um dia antes de um concerto ele pediu-me para lhe afinar a viola. Ficámos amigos desde então e nunca mais deixámos de o ser. Passámos pela revolução. Acompanhei-o antes e depois do 25 de Abril. Era um homem expansivo, sanguíneo q.b. e profundamente solidário em todas as circunstâncias.

(...) Era um gajo porreiro, um amigo que faz falta, com uma atitude ética e social irrepreensíveis e que deixou uma obra única na música europeia."
.
daqui:http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-02-23-Um-gajo-porreiro-um-amigo-que-faz-falta
.
foto: Zeca, Vitorino e Carlos Alberto Moniz




publicado por marius70 às 10:00
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