Domingo, 28 de Fevereiro de 2016

«José Afonso a partir de Coimbra»

1ª parte do evento «José Afonso a partir de Coimbra», do Núcleo AJA Coimbra - Associação José Afonso, realizado no dia 13 de Novembro de 2015.




2ª parte




publicado por marius70 às 10:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Rui Pato - O Zeca que eu conheci

Foi assim, que o vi pela primeira vez…era assim que ele era em 1962…ele com 33 eu com 16 anos e assim nos encontrámos para sete anos de cumplicidade “em tempos de escuridão”. Ninguém o conhecia a não ser os amigos de Coimbra; ninguém , em qualquer parte, sabia quem ele era… Ninguém, nesta altura, se interessava pelo seu pensamento, pela sua música, pelos seus poemas…não era herói, longe ainda do “mito”. Tinha imensas contradições, tinha medo, gozava com os mitos, com “os monstros sagrados”, como ele dizia ; era, apenas, um artista, poeta, músico, um homem muito bom, um homem de esquerda, vulgar, um pouco bizarro, utópico,por vezes ingénuo,… muito incompreendido, sem ter quem o apoiasse; de 62 a 67…quase no limiar da miséria; Havia quem tivesse medo de nos ir ouvir…ele era "perigoso"… O resto da história dele, vocês sabem; este bocado é que, por certo, já não se lembram…

ERA O ZECA...é hoje o aniversário da sua morte.


Rui Pato


Foto de Rocha Pato pai do Rui.

Esta foto foi capa da 2ª edição do livro "Cantares de José Afonso"


publicado por marius70 às 10:03
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016

Rui Pato - "cábulas" do Zeca

Quando o Zeca ainda tinha a memória conservada, não necessitava de ler as letras das canções enquanto cantava. Bastava-lhe ter o primeiro verso de cada quadra...

Aqui, vai uma dessas "cábulas" , escrita pelo punho dele, de um espectáculo em meados dos anos 60, que encontrei hoje aqui pelo sótão.


publicado por marius70 às 10:52
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2016

Poesia do Zeca - Vem-me à cabeça um náufrago


O poeta que refere Zeca é Jorge de Lima, poeta brasileiro.

Jorge de Lima

"Um monstro flui nesse poema
feito de úmido sal-gema.

A abóbada estreita mana
a loucura cotidiana.

Pra me salvar da loucura
como sal-gema. Eis a cura.

O ar imenso amadurece,
a água nasce, a pedra cresce.

Mas desde quando esse rio
corre no leito vazio?

Vede que arrasta cabeças,
frontes sumidas, espessas.

E são minhas as medusas,
cabeças de estranhas musas.

Mas nem tristeza e alegria
cindem a noite, do dia.

Se vós não tendes sal-gema,
não entreis nesse poema."

Neste poema, Zeca refere também o naufrágio de Sepúlveda. A Dona Dor tem a ver com o que aconteceu à sua esposa, Dona Lianor de Sá que, juntamente com os filhos morreram, na marcha para Moçambique.

A 3 de Fevereiro de 1552, com a mulher e os filhos, largou de Cochim, na Índia, rumo a Lisboa, como capitão do galeão grande São João. O galeão vinha carregado com 7500 quintais de pimenta, e transportava mais de quinhentas pessoas. A 13 de Abril, à vista do Cabo da Boa Esperança, a nave foi acometida por fortes tempestades, acabando por naufragar a 8 de Junho, nas costas do Natal. Os cerca de 380 sobreviventes iniciaram, um mês mais tarde, uma longa marcha rumo a Moçambique. A fome, as doenças, os ataques dos Cafres e dos animais selvagens foram lentamente diminuindo o seu número. Quando atravessaram o rio de Lourenço Marques, nos fins de Dezembro, os sobreviventes eram apenas cerca de 120; e um filho de 10 anos de Manuel de Sousa de Sepúlveda tinha já morrido. Nesta região foram os sobreviventes portugueses maltratados pelos Cafres, vindo a mulher do capitão e os seus filhos pequenos a morrer em Janeiro de 1553, em circunstâncias dramáticas. Manuel de Sousa de Sepúlveda, depois de os enterrar, internou-se no mato para nunca mais ser visto.

O relato deste infortúnio foi redigido por um autor desconhecido, talvez baseado em informações de Álvaro Fernandes, guardião do galeão, e foi impresso pela primeira vez logo cerca de 1554. Camões, no Canto V de Os Lusíadas, faz o Adamastor profetizar a tragédia:

"Outro também virá de honrada fama,
Liberal, cavaleiro, enamorado,
E consigo trará a formosa dama
Que Amor por grã mercê lhe terá dado.

Triste ventura e negro fado os chama
Neste terreno meu, que duro e irado
Os deixará dum cru naufrágio vivos
Para verem trabalhos excessivos.

Verão morrer com fome os filhos caros,
Em tanto amor gerados e nascidos;
Verão os Cafres ásperos e avaros
Tirar à linda dama seus vestidos..."

Também o poeta Jerónimo Corte-Real escreveu um poema épico sobre este famoso episódio, intitulado Naufrágio e lastimoso sucesso de Manuel de Sousa Sepúlveda e Dona Leonor de Sá, sua mulher e filhos, impresso postumamente em 1594.

publicado por marius70 às 12:33
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

Zeca na primeira pessoa

"... Faço música como quem faz um par de sapatos, isto é, tento alinhar sons e torná-los coerentes entre si, como quem faz um utensílio. E o mundo social da música não me seduz grandemente, como não me seduzem os palcos e todo esse tipo de estruturas sobre que assenta a canção. (...) Actualmente, falarem-me de música ou de óleo de rícino é rigorosamente a mesma coisa. Se eu tivesse meios dedicava-me a outra coisa, a uma actividade mais solitária, sei lá... Gostava de voltar a estudar Filosofia, como nos velhos tempos. Estudei mal, mas enfim..."

in "As Voltas de um Andarilho" de Viriato Teles.


publicado por marius70 às 09:30
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
20

21
22
24
25
26
27

28
29
30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Luís Arriaga

. 3º Congresso da Oposição ...

. Círculo Mercantil de Sant...

. Praza da Quintana em Sant...

. Círculo Cultural de Setúb...

.arquivos

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

.tags

. todas as tags

SAPO Blogs

.subscrever feeds